a sociedade


Sociedade do Amor Suicida, é um grupo experimental que tem como ponto de partida as diversas expressões artísticas para desenvolver um estudo sobre as possibilidades dialógicas das mesmas em cena, no cruzamento do viver com o “teatrar” e, claro, do teatro com a vida. O grupo é formado por seis integrantes que tem por base a formação em teatro, no entanto cada um potencializa dentro do coletivo uma outra linguagem artística. O encontro dos integrantes se deu a partir do projeto Nossa Cidade – Uma Peça para Acampamentos do coletivo Soul. Tal projeto englobava os mesmos ideais que o grupo adota.


A expressão “sociedade do amor suicida” adotada pelo grupo como identidade partiu da ideia de um grupo de rede social voltado à prática do partilhar de escritos entre seus membros, que compreendiam quaisquer pessoas (independentemente delas serem ou não artistas) onde elas, através do (re-) encontrar-se “virtualóide”, passaram a, enfim, compreender que havia um mundo muito além daquele visto de suas paredes e gavetas (e, inclusive, questionar o porquê da existência de um grupo como esse apenas virtualmente). Seguindo esse raciocínio, o grupo em sua pesquisa confronta a criação literária virtual e a teatralidade do cotidiano urbano que perpassa a experiência do artista, para criar exercícios contemplei todos esses espaços, configurando-se em algo novo para ser praticado em cena.
O grupo ainda investiga o fazer teatral para-além dos palcos (bares afora, “mesmo que à força”), o (re-) descobrimento e exposição dos artistas de gaveta, provocando-os a (tentar) ir além da escuridão de sua arte voltada apenas a si mesmos – artistas que, cada qual sob seus próprios porquês, ainda não se desprenderam de suas cabeceiras ou sequer (re-) consideraram a (falta de) razão pela qual não estão “sendo estuprados em livrarias de Paris”.
O grupo quer por meio de seu primeiro experimento “Madrugada Ébria” resgatar o artista confinado sob gaveta, (re-) conhecendo-o sob seu fazer artístico, (ex-) pondo-o no “bar-reduto de artistas” proposto pela intervenção sócio-cultural encarnada pela peça – da esquizofrenia entre quatro paredes, das ruas, praças, becos e esquinas desoladas (aonde nascem, inclusive – dia após dia através de sua abiogênese) novas e infames rupturas contra-culturais (“cracolândias” e afins) em prol de nada além da irreversível queda do gênio artístico ante a asfixia (in-) existencialista gerada pela loucura do correr das horas pelo tráfego humano nosso de cada dia, sem vida; e a arte, tal qual a superfície de seus poços quintessenciais (quintessência (quinta essência): de onde há; o uno; substância etérea que a tudo permeia segundo Aristóteles) que (re-) encarnam os bares, revive-se e reinventa-se cíclica e silenciosamente o tempo todo. O grupo tem a pretensão de alcançar tais lugares, tais multi-versos labirinticamente escondidos por aí sob o signo de um único bar, posto sobre o palco (ou de palco, posto sobre um bar).